Futuro dos veículos pesados pode ser silencioso, econômico e pouco poluente
Projeto Hibribus, da Volvo, alia o motor a diesel a um propulsor elétrico para reduzir emissões e consumo
Imaginar um peso pesado silencioso e não poluente pode parecer um sonho do futuro, mas a verdade é que a primeira tecnologia é bastante antiga, de 1908, ano do primeiro coletivo híbrido. E apesar dos carros híbridos já serem populares em outros países, a tecnologia está apenas em seu início no Brasil. As empresas de veículos de grande porte com fábricas no país também querem entrar nesse mercado.
Curitiba testou com sucesso ônibus com sistema híbrido elétrico da Volvo
Em projeto desenvolvido pela Volvo, um motor a diesel trabalha paralelamente a um elétrico para oferecer tração conjunta ou independente. Ao arrancar com uma partida silenciosa acionada pelo motor elétrico, o ônibus híbrido da Volvo funciona até os 20 km/h. Acima dessa velocidade, o propulsor a diesel também é acionado. Quando o veículo está parado, seja no trânsito ou no embarque e desembarque, o motor a diesel é desligado para economizar combustível.
Para que esse sistema funcione sem problemas, muitas tecnologias foram desenvolvidas, peças foram modificadas e o motor passou por um downzing (de 8.0 litros para 5.0 litros). Os estudos realizados com esse tipo de veículo apontaram que os ônibus híbridos são 35% mais econômicos do que aqueles abastecidos somente a diesel, e emitem 35% menos CO2. Além disso, quanto mais urbana a rota (com trânsito em menor velocidade), mais econômico fica o veículo.
"Os híbridos serão um caminho certo para o mercado de caminhões e ônibus", afirmou Roberto Florindo, da Volvo, que garante que o ônibus híbrido da marca será produzido no país a partir de 2012 e cerca de 60% da produção já está vendida para a cidade de Curitiba.
Caminhões de lixo com sistema híbrido hidráulico Bosch já rodam em teste na Europa
Apesar da Bosch Rexroth também pensar no lançamento de ônibus híbridos a diesel, seus estudos têm sido focados na criação de um sistema que está se adaptando plenamente em caminhões de lixo. Mauro Silva, engenheiro da marca, acredita que um dos pontos negativos de um híbrido elétrico é a demora para recarregar a energia. Por isso, eles investem no desenvolvimento de um sistema hidráulico/diesel que tem, como diferencial, recarga mais rápida em baixa velocidade. Através do acionamento do freio, galões de óleo se preenchem e geram energia para mover o veículo em baixa velocidade.
A empresa vem desenvolvendo a tecnologia desde 2009, e em 2010 iniciou a produção de 15 protótipos que já rodam na Europa e nos Estados Unidos. Os estudos mostraram esses veículos consomem 25% menos combustível e reduzem na mesma proporção as emissões de poluentes, além de terem 50% menos desgaste de freios.
Apesar de o veículo carregar 500 kg a mais, o engenheiro da Bosch afirmou que não há uma diferença notável na performance, já que o sistema é indicado para veículos que atuam em velocidade baixa. A vantagem é que, por ser um sistema paralelo, ele pode ser aplicado em veículos usados. Além disso, segundo as pesquisas preliminares, o preço adicional do sistema se paga em dois anos devido à economia de combustível e freios.
Apesar de muitas empresas investirem na tecnologia híbrida, ainda não há uma política governamental brasileira de apoio, nem normas de certificação para esses motores. No entanto, o discursos de ambas as empresas são iguais: as pesquisas não podem parar, e é preciso colocar no mercado a tecnologia híbrida pensando nas vantagens econômicas e ambientais.
Fonte: Autonews
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