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17 abril 2012

Lei Seca: entenda a proposta de mudança

Novo projeto depende de aprovação do Senado

Renata Viana de Carvalho
Agência OGlobo
Projeto propõe aceitação de outras provas além do bafômetro
Os efeitos negativos da mistura álcool e direção tem sido cada vez mais visíveis na sociedade. No fim de março, havia a expectativa de que o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) pudesse aceitar outros tipos de provas para atestar a embriaguez ao volante em um processo criminal – hoje são exigidos o teste do bafômetro e o exame de sangue. No entanto, a esperança foi frustrada e a exigência mantida.

Passados menos de 15 dias, a Câmara dos Deputados se manifestou sobre o assunto. Ontem, ela aprovou o projeto que propõem uma nova “lei seca”. O texto de autoria do deputado federal Hugo Leal (PSC/ RJ) prevê que todo condutor envolvido em acidente de trânsito ou parado em uma blitz “poderá ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que permita certificar a influência de álcool ou outra substância psicoativa que determine dependência”. Também seriam aceitos testemunhos e vídeos que demonstrassem o estado de ebriedade, a falta de capacidade psicomotora.

Além de aumentar o leque de provas, o projeto eleva o valor da multa para o motorista bêbado: em vez de atuais R$ 957,70, seriam cobrados R$ 1.915,40 – o custo de uma infração gravíssima multiplicado por dez. Em caso de reincidência dentro do prazo de um ano o valor dobraria – ficaria em R$ 3.830,80.

Hoje, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) só considera infração dirigir com concentração de 6 decigramas de álcool por litro de sangue. O novo projeto estabelece equivalência entre o resultado do exame de sangue e a presença de 0,3 miligrama de álcool por litro de ar soprado no etilômetro. Para Maurício Januzzi, presidente da comissão de trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o problema está, justamente, aí. “O projeto não resolve a questão porque esses limites continuam existindo. Se o Senado aprovar o projeto, o STJ vai contestá-lo novamente”, afirma.

Januzzi é responsável por um Projeto de Lei de Iniciativa Popular, o mesmo promovido pela campanha Não foi acidente. A petição pública precisa de 1,3 milhão de assinaturas para ser convertida em lei – tem mais de 300 mil atualmente. O advogado defende que a criminalização de qualquer quantidade de álcool no sangue, o que seria comprovado por métodos técnicos aplicados por médico clinico “Com isso, a tolerância ao álcool seria zero, de fato. E o cidadão não poderia mais se valer do princípio de que não precisa soprar o bafômetro, pois não pode produzir provas contra si. A Associação Paulista de Medicina apóia o projeto. Mas especialistas acreditam que ter um profissional desses em cada blitz inviabilizaria a aplicação da lei, também.

O projeto não entrou no mérito das punições, que pode ser de seis meses a três anos. Com isso, deixa de fora uma grande polêmica, porque ainda que haja condenação do motorista, ele não cumprirá pena na cadeia – sentenças abaixo de quatro anos pode ser cumpridas a partir de penas alternativas. Para mudar as regras atuais, ele ainda precisa ser aprovado pelo Senado.
Fonte: Autoesporte

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