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27 julho 2011

Fusca, o carro do povo

Confira o teste publicado pela revista Autoesporte em 1969

Ed Globo 
Ele deixou marcas profundas na memória dos brasileiros. Para muitos, se tornou marcante pura e simplesmente por ter sido o companheiro das primeiras aulas ao volante. Para outros tantos, foi o inesquecível primeiro carro e também deixou a imagem de modelo robusto, quase inquebrável – e, quando quebrava, mostrava que oferecia manutenção fácil e barata.
Quem conhece um pouco da história dos clássicos nacionais já matou a charada: estamos, sim, falando do bom e velho Fusca. Esse ícone da Volkswagen esteve presente em muitas ocasiões nas páginas de Autoesporte. A chegada da linha 1969, por exemplo, mereceu destaque na revista. O primeiro ponto elogiado foi o fôlego extra do motor 1.300 (que passou a equipar o VW em 1967) em relação ao antigo boxer 1.200. “Quanto à flexibilidade, melhorou consideravelmente, apresentando torque bem maior, que o motorista notará, com facilidade e agrado, pois anteriormente usando 1ª, 2ª e 3ª, com o 1.300 usará 2ª, 3ª e 4ª.”
Por outro lado, a reportagem comentava o quanto a gasolina nacional, de baixa qualidade desde sempre, prejudicou o desempenho do Fusca na comparação com o modelo fabricado na Alemanha. Para contornar o problema, a montadora reduziu a taxa de compressão e adotou um carburador maior. Mesmo assim, não deu para fazer milagre! Enquanto o Besouro de lá acelerava de 0 a 100 km/h em 24,5 segundos, o nosso levava 35,3 segundos para atingir a mesma marca. Já a velocidade máxima ficava, respectivamente, em 126 km/h e 115,02 km/h.
Ed Globo 
A suavidade da embreagem foi elogiada, mas alguns pontos da transmissão mereceram observações bem diferentes. “O câmbio tem boa precisão de engate e ótima sincronização, porém o conjunto câmbio-diferencial ronca um pouco mais que o razoável.” No mais, elogio aos freios e uma recomendação de atenção nas estradas, já que o Fusquinha apresentava tendência de sair de traseira nas curvas.

O Besouro em nossas ruas

A história desse mítico Volkswagen no Brasil surgiu do interesse do empresário José Bastos Thompson, proprietário da Brasmotor, que comercializada veículos Chrysler. Ele pretendia oferecer, também, o carrinho alemão. Depois de fechar negócio com a montadora, a empresa nacional vendeu o primeiro modelo para o paulista Rodolfo Maer, isso em 1950.
Como o empresário havia previsto, o interesse pelo Besouro foi aumentando e, para atender à demanda, a própria VW instalou uma linha de montagem do modelo, no bairro paulistano do Ipiranga, em 1953 – as duas empresas se dedicaram ao negócio, mas logo a Brasmotor se retirou da parceria. Até 1957, 2.268 Fuscas foram montados nessa linha. A partir daí, as operações da VW foram transferidas para a nova fábrica, na via Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP).
Ed Globo 
Lá, a produção do Fusca só começou em janeiro de 1959, com índice de nacionalização de peças de 54%. O primeiro modelo produzido na fábrica da Anchieta foi adquirido por Eduardo Andrea Matarazzo. Daí em diante, a história de amor desse modelo de carroceria cheia de curvas com o consumidor brasileiro foi ficando mais e mais intensa.
Ed Globo 
Ao longo dos anos, o Besouro foi ganhando uma série de avanços, como trava de direção e barra de direção com lubrificação automática em 1965, motor 1.300 e vidro traseiro 20% maior em 1967, mudança do sistema elétrico de seis para 12 volts em 68, lançamento do “Fuscão” 1.500 e oferta de freios a disco como opcionais em 70, novos carburadores e faróis em 73, lançamento do “Super Fuscão” 1.600 em 74, volante de polipropileno texturizado e lanternas “Fafá” em 79, novo logotipo com o nome Fusca em 83 (oficializado pela montadora) e bancos com espuma de poliuretano e forração de tecido para as portas em 85.
Com a queda nas vendas, a produção do carrinho foi interrompida no dia 07 de dezembro de 1986. Isso até o então presidente Itamar Franco declarar sua paixão pelo modelo e pedir sua volta à Volkswagen, ou melhor, à Autolatina, que decidiu investir na idéia.
Em 23 de agosto de 1993 o Fusca ressurge no País, equipado com motor 1.6, catalisador, freios hidráulicos de duplo circuito e sistema de trava dupla do capô, entre outros itens. Com tantos modelos modernos e a ascensão dos veículos 1.0, o bom e velho Besouro ficou deslocado no mercado. Em 1996, o lançamento do Fusca Ouro, com uma série de equipamentos, já era um prenúncio da despedida definitiva. O bravo modelo com motor a ar, sucesso do pós-guerra, cravou a marca de 3,1 milhões de unidades vendidas no País.

Fonte: Autoesporte

Um comentário:

  1. Para complementar, o fusca saiu de linha em plena época junina , em 28 de junho de 1996, quando decidiu-se definitvamente retirar de linha aqui no Brasil( que é em partes uma pena!). A interrupção da produção em 7 de dezembro de 1986,que já estava sendo gradual desde meados de outubro, e antes mesmo de outubro, em julho foi anunciado que durante o resto de 86 seria gradualmente desmontada a linha de fabricação. sendo assim os últimos fuscas 0km sendo vendidos em concessionárias no inicínho de 1987. esse foi o "primeiro" fim de fabricação do besouro.
    Já na década de 1990'. em outubro de 1992, o recém presidente, que era vice de Collor, Itamar Franco quando em uma de suas primeiras aparições em público -depois do momento político conturbado-, no salão do automóvel,percebeu os altos preços dos veículos ditos de entrada (populares) e a partir daí já vinha desde aquele final de 92 sempre nas coletivas de impressas sugerindo a volta da fabricação do fusca, fato que se melhor concretizou, quando no início de 1993 entrou em uma conversa particular com o então presidente da auto-latina Pierre-Allan Smitch, que em fevereiro foi finalmente acordado a volta da fabricação do fusca com incentivos fiscais, e ao protocolo do carro popular. Em agosto de 1993, mais precisamente em 23 de agosto deu-se como reiniciada a volta da produção em série do vw fusca.
    Sua fabricação foi encerrada em 28 de junho sem conhecimento da grande imprensa, só percebido em julho quando ouve da diretoria da vw uma ordem para que as concessionárias deixassem de acolher pedidos de fusca. Seu fim foi decretado pelo motivo da baixa venda frente a concorrentes mais "sofisticados" e com preço quase correlato ao do fusca e que em 1997, o proconve exigira normas de emissões de poluentes mais exigentes nos veículos fabricados a partir de 97, coisa que só seria possível na tecnologia de injeção eletrônica de combustível (fato que seria melhor visto se o fusca decolasse em vendas, o que não aconteceu ao longo de seus quase 3 anos de retorno). fora o fato do fim da autolatina( uma junção da vw com a ford que ocorreu nos anos 80' e que estava chegando a dissociação desde 1994 e que seria completamente dissolvida em 1996-97.

    Um carro que nasceu na época do Holocausto e termina sua história como um dos carros mais carismáticos e apreciados pelas criancinhas de todo o mundo. viva o fusca! acho q só Deus sabe,mas esse carro teve um motivo pra existir, só pode!

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